domingo, 19 de setembro de 2010

19.09

Hoje, logo que acordei, pus aquela nossa música. Eu sei, eu sei, "nossa música" é tão clichê. Por isso fiquei procurando um jeito novo, interessante, inteligente de me declarar. Quando, então, tropecei nas duas últimas palavras: "me declarar". Não tinha mais jeito. Eu já havia sucumbido.
Em minha defesa, roubei as palavras de alguém: "quando os clichês acabam, acaba também o amor". Aliviada, perdoei minha completa incompetência estética em ser vanguardista. Me perdoei, e agradeci, o coração assim tão cheio de clichês. Uns que eu quero renovar toda manhã de música e toda manhã de silêncio. Uns que são todos seus. Como é todo seu o amor.

domingo, 11 de julho de 2010

Talvez tenha sido erro meu. Talvez eu devesse ter deixado mais claro que me entreguei inteira. Mas eu me entreguei inteira, queria muito que você acreditasse. Eu te falei das minhas noites de insônia, loucura e dor, do nojo pelo pai, do amor confuso pela mãe que sufoca, do livro que foi salvação, da beleza que nunca reconheci em mim. Eu me confessei, acredite. Confessei o cotidiano também, o pequeno, o miúdo. E o fiz porque confio em você, pode acreditar. Confio sem ressalvas. A ti eu confiei minha alma. Olha, eu confio tão verdadeiramente que a possibilidade de te perder me aterroriza, me despedaça. Porque te perdendo eu perco tudo. É certo que no caminho te dei também feridas, talvez a maior delas seja a última. É certo que deixei a impressão que de mim você só tinha a metade. É, foi erro meu. Quem sabe uma sucessão de erros. Não sei até que ponto essas palavras servem pra alguma coisa. A mim me parece que apenas os gestos serão capazes de te reconquistar. E é justo que seja assim. Se você ainda quiser e me permitir, generosamente me permitir, tomarei conta pra não deixar mais arestas, pra não deixar mais dúvidas. Tomarei conta pra ser mais clara, pra ser melhor.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Preciso aprender que em certas horas não se chora. Em certas horas, não se diz nada. Aprender que, por vezes, em respeito a dor que causei, devo ser gente grande e engolir o choro e aguentar calada a dor da culpa, sem espernear. Sem tantos "por que" "por que" "por que" em mono-tom e em imbecilidade. E talvez mesmo as razões não sirvam pra nada. Pelo menos, não apagam as mágoas. Eu preciso aprender que em certas horas silêncio significa respeito.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Em seu corpo, o tempo pára pra eu sentir o tempo, assim, do jeito que eu gosto.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Essa coisa que a gente chama de instante e que nem mesmo é coisa, não é nada. Talvez uma sensação. Esse milésimo de qualquer medida, onde a vida se faz e já nasce escapando. Onde a vida improvisa e pode ser tudo.
Se a mim me fosse obrigatório escolher um Deus, escolheria o deus acaso, com letras minúsculas e templo no instante. O ritual de adoração seria sentar à beira e sentir-lhes, um a um, tic-tac-tic-tac... Eu preciso de tempo pra sentir o tempo. Detesto, detesto, detesto a pressa a que me obriga essa rotina filha-da-puta. Talvez seja esse meu delírio Dom Quixote. Ser dona do tempo.



domingo, 28 de fevereiro de 2010

Amor, pra mim, é paixão vagarosa. Paixão pela ternura se fazendo e refazendo, constantemente, cotidianamente, instante após instante. Algumas vezes, até, penosamente. Paixão pelo tempo vagaroso de se demorar em alguém. E olhar, ver e rever.