domingo, 11 de julho de 2010

Talvez tenha sido erro meu. Talvez eu devesse ter deixado mais claro que me entreguei inteira. Mas eu me entreguei inteira, queria muito que você acreditasse. Eu te falei das minhas noites de insônia, loucura e dor, do nojo pelo pai, do amor confuso pela mãe que sufoca, do livro que foi salvação, da beleza que nunca reconheci em mim. Eu me confessei, acredite. Confessei o cotidiano também, o pequeno, o miúdo. E o fiz porque confio em você, pode acreditar. Confio sem ressalvas. A ti eu confiei minha alma. Olha, eu confio tão verdadeiramente que a possibilidade de te perder me aterroriza, me despedaça. Porque te perdendo eu perco tudo. É certo que no caminho te dei também feridas, talvez a maior delas seja a última. É certo que deixei a impressão que de mim você só tinha a metade. É, foi erro meu. Quem sabe uma sucessão de erros. Não sei até que ponto essas palavras servem pra alguma coisa. A mim me parece que apenas os gestos serão capazes de te reconquistar. E é justo que seja assim. Se você ainda quiser e me permitir, generosamente me permitir, tomarei conta pra não deixar mais arestas, pra não deixar mais dúvidas. Tomarei conta pra ser mais clara, pra ser melhor.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Preciso aprender que em certas horas não se chora. Em certas horas, não se diz nada. Aprender que, por vezes, em respeito a dor que causei, devo ser gente grande e engolir o choro e aguentar calada a dor da culpa, sem espernear. Sem tantos "por que" "por que" "por que" em mono-tom e em imbecilidade. E talvez mesmo as razões não sirvam pra nada. Pelo menos, não apagam as mágoas. Eu preciso aprender que em certas horas silêncio significa respeito.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Em seu corpo, o tempo pára pra eu sentir o tempo, assim, do jeito que eu gosto.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Essa coisa que a gente chama de instante e que nem mesmo é coisa, não é nada. Talvez uma sensação. Esse milésimo de qualquer medida, onde a vida se faz e já nasce escapando. Onde a vida improvisa e pode ser tudo.
Se a mim me fosse obrigatório escolher um Deus, escolheria o deus acaso, com letras minúsculas e templo no instante. O ritual de adoração seria sentar à beira e sentir-lhes, um a um, tic-tac-tic-tac... Eu preciso de tempo pra sentir o tempo. Detesto, detesto, detesto a pressa a que me obriga essa rotina filha-da-puta. Talvez seja esse meu delírio Dom Quixote. Ser dona do tempo.