sábado, 28 de fevereiro de 2009

Consumida, havia chegado a hora de desistir e desabar.Com ela só uma nesga de respiração e uma frase de Clarice: “ na mão frouxa tudo cabe”.
Hoje atravessarei hoje agarrada à chuva e a uma canção de ninar, recolhendo os medos para, quem sabe, enfrentá-los quando o chão secar e a música se puser.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Tinha esse fascínio por praia em dia de chuva. A água sobre água trazia-lhe ao corpo uma sensação que, imaginava ela, seria a mesma que sentiria quando fosse tocada pela primeira vez por uma mulher.
Eu tenho tanto medo, de tudo: meu corpo poltrão sempre pronto pra correr.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Eram de nojo: a palavra desacompanhada e o gesto involuntário. Era um corpo nauseando outro corpo, era meu corpo nauseando outro corpo. E era a solidão absoluta, a solidão absoluta. O rato, Clarice, eu era o rato morto da Avenida Copacabana. Agora, só queria mesmo era aprender como um corpo assim tão nauseante perdoa a si mesmo.
Como, Clarice, como perdoar-se? Como um corpo aconchega-se no próprio colo e acarinha a própria dor?