Eu tenho medo de quase tudo. Sempre tive. Mas, ao contrário do que possa aparentar, não é o medo do subserviente. É o medo do arrogante. Meu medo vem da arrogância de me achar capaz de executar a vida com absoluta perfeição. É arrogante, mas é ingênuo. Só o tolo pode, a despeito de todas as evidências, insistir que existe tal estado de extrema perfeição, de ausência absoluta das falhas. É ingênuo, mas é arrogante. Juntos são o alimento do meu medo:
Como se eu pudesse controlar cada instante de vida - cada pedaço, cada gesto, cada pensamento - meu corpo inteiro, eu inteira, congelamos de pavor diante da doce violência do acaso...
que me toma das mãos as rédeas e me expõe as fraquezas, as incompetências.
Mas já que um tolo arrogante nunca é tão simples assim:
Em paradoxo exemplar, eu acredito piamente que a beleza está mesmo é no acaso; na sua sucessão de imprevistos e falhas...tão maravilhosamente imperfeito.
Juntos - a tolice, a arrogância, o medo, a paixão pelo acaso...a paixão - juntos, eles sou Eu.
*Black Swan, o filme: “Perfection is not just about control, it’s also about letting go, surprising yourself”.
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