domingo, 6 de dezembro de 2009

A verdade é que você me desarma quando chega perto. Acende o sorriso no rosto, com gosto de pra sempre, e todos os clichês do mundo, todo o amor do mundo. Rouba as palavras, dilui as tristezas e remodela os dias ruins. Você renova. Eu que renasço sempre em seu abraço. E me consola do mundo, do que não deu certo, acolhe as lágrimas. Não que não haja desencontros também, não que não haja obstáculos. Mas eles vêm com a certeza de serem passageiros, de ser só o meio do caminho. Assim como também a certeza não vem de garantias - as quais não podemos ter - mas da sensação tão clara de que sem você o mundo é sem graça, é sem música. A certeza é o desejo profundo tomando conta do corpo de que sejam eternas as tardes que parecem parar pra nos dar passagem.

sábado, 7 de novembro de 2009

Você me contou das coisas boas que tenho e nunca soube. Cimentou rachaduras, abriu janelas, pendurou enfeites. Onde era silêncio, amor-canção. Você me deu o privilégio de sermos nossas.
Eu precisaria de todas as palavras do mundo. Precisaria que elas assentassem sobre minha pele e tomassem o formato do meu corpo. Transpusessem a superfície e se fizessem o que me forma. Por fim, levando minha geometria, se abandonassem em suas mãos. Só assim poderiam explicar a sensação de ficar, entregue, em seus braços.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Não são meus dedos que acariciam sua pele, é ela que os deleita e devora. Põe neles arrepios que, a partir daí, percorrem todo o corpo, vadios e livres a suspender os pêlos, abrindo passagem. É como se, mãos em concha, eu tivesse bebendo o último gole d'água, raro e valioso.