sexta-feira, 2 de julho de 2010

Essa coisa que a gente chama de instante e que nem mesmo é coisa, não é nada. Talvez uma sensação. Esse milésimo de qualquer medida, onde a vida se faz e já nasce escapando. Onde a vida improvisa e pode ser tudo.
Se a mim me fosse obrigatório escolher um Deus, escolheria o deus acaso, com letras minúsculas e templo no instante. O ritual de adoração seria sentar à beira e sentir-lhes, um a um, tic-tac-tic-tac... Eu preciso de tempo pra sentir o tempo. Detesto, detesto, detesto a pressa a que me obriga essa rotina filha-da-puta. Talvez seja esse meu delírio Dom Quixote. Ser dona do tempo.



domingo, 28 de fevereiro de 2010

Amor, pra mim, é paixão vagarosa. Paixão pela ternura se fazendo e refazendo, constantemente, cotidianamente, instante após instante. Algumas vezes, até, penosamente. Paixão pelo tempo vagaroso de se demorar em alguém. E olhar, ver e rever.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Eu tenho sonhado com o dia em que sairei de casa desde o primeiro instante que a memória consegue alcançar. Não é nem que eu ache que a partir de então serei mais feliz. Pra mim a maior alegria será a liberdade de chorar de porta aberta.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A verdade é que você me desarma quando chega perto. Acende o sorriso no rosto, com gosto de pra sempre, e todos os clichês do mundo, todo o amor do mundo. Rouba as palavras, dilui as tristezas e remodela os dias ruins. Você renova. Eu que renasço sempre em seu abraço. E me consola do mundo, do que não deu certo, acolhe as lágrimas. Não que não haja desencontros também, não que não haja obstáculos. Mas eles vêm com a certeza de serem passageiros, de ser só o meio do caminho. Assim como também a certeza não vem de garantias - as quais não podemos ter - mas da sensação tão clara de que sem você o mundo é sem graça, é sem música. A certeza é o desejo profundo tomando conta do corpo de que sejam eternas as tardes que parecem parar pra nos dar passagem.