sábado, 7 de novembro de 2009

Você me contou das coisas boas que tenho e nunca soube. Cimentou rachaduras, abriu janelas, pendurou enfeites. Onde era silêncio, amor-canção. Você me deu o privilégio de sermos nossas.
Eu precisaria de todas as palavras do mundo. Precisaria que elas assentassem sobre minha pele e tomassem o formato do meu corpo. Transpusessem a superfície e se fizessem o que me forma. Por fim, levando minha geometria, se abandonassem em suas mãos. Só assim poderiam explicar a sensação de ficar, entregue, em seus braços.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Não são meus dedos que acariciam sua pele, é ela que os deleita e devora. Põe neles arrepios que, a partir daí, percorrem todo o corpo, vadios e livres a suspender os pêlos, abrindo passagem. É como se, mãos em concha, eu tivesse bebendo o último gole d'água, raro e valioso.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Livraste minh'alma da infértil amargura insalubre. Livraste minha boca do gosto acre-solidão. Do árido fizeste brotar frutos os mais doces e úmidos, fértil amor. A mim, a imensa honra de teu adubo.