Ai, amor, vai, põe no vestido uma violeta, no sorriso uma intenção, confesse. Cantarole assim uma música. Qualquer coisa, qualquer coisa que me diga de você. Só não deixe a porta entreaberta, isso não: abra por completo ou tranque a sete chaves. A minha, eu arranquei, quebrei-lhe as paredes de sustento, sou toda sua, pode entrar. Guarde nessa gaveta o medo, pendure ali no cabide as cicatrizes e se ponha assim leve, levíssima, sobre mim. Sabe, tenho estado muitas vezes à beira de escolher o pôr-do-sol mais bonito para dizer-lhe desses clichês que vão agora aqui. Falar desse sobressalto, de você me ocupando os sonhos, os espaços, as entrelinhas. Tenho estado muitas vezes à beira e, em todas, sufocada pela covardia, tenho recuado. Arre, como eu queria que fosse tudo tão mais simples, tudo límpido, claro, que fosse infundado esse meu medo de te ofender o pudor, os preconceitos. Porque em verdade é muito simples o que tenho pra falar. É assim: olha, menina dos olhos coloridos, eu me peguei apaixonada, assim completamente, assim sem pudor do ridículo, e quando você me ligou ontem eu fiquei mesmo criança feliz brincando de roda. Mas não se preocupe. Se não for nada disso, eu saberei desmontar o encantamento, empacotar a esperança, juntar os pedaços...eu saberei morrer. Como já fiz tantas vezes e em dias bem mais vazios.
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